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quinta-feira, 5 de março de 2015

Barroco na Literatura

                          

Barroco nas artes
A designação de "barroco" significa "pérola irregular". O barroco foi repleto de formas opulentas, cheias de contrastes, bem ao contrário das formas mais despojadas e mais harmônicas da arte do renascimento.
O século XVII foi peculiarmente marcado pela tensão entre opostos.De um lado, havia a visão de mundo renascentista (otimista e de exaltação da vida). De outro lado, havia uma visão de vida reclusa, que negava o mundo.
No Barroco, há o dito latino "Carpe Diem", o qual significa: "Aproveita o dia de hoje".
Também havia o dito "Memento mori",o qual significa: "Lembra-te, homem, que morrerás um dia!". É constatado que a vaidade e a irracionalidade estavam presentes no Barroco.
O Barroco era influenciado pelo modo de vida do século XVII, um período onde o homem estava vivendo transformações ao mesmo tempo que o retrógrado o prendia. Logo, o homem dessa época estava perturbado de tantas dúvidas que havia em sua mente geradas pelos imensos conflitos entre os opostos. O homem vivia em uma linha tênue entre os princípios antagônicos, prendendo-se a uma dualidade perturbadora.
O século XVII também foi marcado por uma enorme diferença de classes socais. A aristocracia francesa e a corte de Versalhes viviam um luxo exacerbado. Exibição de ostentação era um modo de demonstar pode. Por meio do luxo, exibia-se poder. Havia uma mensagem econômica por tràs: quem tinha o luxo, tinha o poder político e econômico.
Podemos encontrar o barroco na arquitetura, na pintura, na literatura, na poesia e em outras manifestações artísticas.
 
 
 
 
A dualidade paradoxal barroca e a Literatura

O homem estava confuso, cheio de dúvidas, dividido entre o desejo de aproveitar a vida e o de garantir um lugar no céu. Conflito existencial gerado pelo dilema do homem dividido entre o prazer pagão e a fé religiosa. Antropocentrismo x Teocentrismo (homem X Deus, carne X espírito). Detalhismo e rebuscamento- a extravagância e o exagero nos detalhes.

Conflitos: bem X mal, pecado X perdão, homem X Deus.

Linguagem rebuscada e trabalhada ao extremo, usando muitos recursos estilísticos e figuras de linguagem e sintaxe, hipérboles, metáforas, antíteses e paradoxos, para melhor expressarem a comparação entre o prazer passageiro da vida e a vida eterna.

Filosofias: Cultismo x Conceptismo. Cultismo é o jogo de palavras, o uso culto da língua, predominando inversões sintáticas. Conceptismo são os jogos de raciocínio e de retórica que visavam melhor explicar o conflito dos opostos.
 
 

 
A imagem postada é do filme "Macbeth" (1971)*
 

As peças teatrais dramáticas e repletas de intensidade eram barrocas. Era muito importante, para o teatro barroco, o uso de cenários, figurinos e maquiagens. Na verdade, acreditava-se que a ilusão transmitida no teatro era a representação da vida real. A vida era feita da mesma matéria que os sonhos. Encontramos muitas citações de que a vida é um teatro.

William Shakespeare viveu no barroco e sua literatura esteve muito vinculada ao teatro. Escreveu suas grandes peças por volta de 1600.

Na peça "Como gostais", Shakespeare diz:

"O mundo é um palco, e homens e mulheres, não mais que meros atores. Entram e saem de cena e durante sua vida não fazem mais do que desempenhar alguns papéis."

Em Macbeth, Shakespeare fez uma poesia:

 

" A vida é uma sombra errante;

Um pobre comediante, que se pavoneia

No breve instante que lhe reserva a cena,

Para depois não ser mais ouvido.

É um conto de fadas, que nada significa,

Narrado por um idiota, cheio de voz e fúria."
 
 
 
Gosto muito do estilo Barroco! Espero que vocês tenham gostado de conhecer melhor esse estilo também!

Abraços,

Taty Casarino.

http://tatycasarino.blogspot.com.br/

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Clair de Lune




O luar sobre nós ilumina teu sorriso,

e o vento da mará balança meu vestido.

Em teus braços, eu flutuo enquanto ouço Debussy,

e tu me roubas um beijo enquanto toca um soneto.

 

Ah! Se Debussy soubesse da magia

que Clair de Lune lança aos poetas,

teria escrito uma poesia

para enamorar sua melodia...

 

Que romântico não gostaria

de estar com seu amor ao som de Clair De Lune?

Que poeta não se inspira

quando ouve essa melodia?

 

Quando ouço Clair De Lune,

eu fecho os olhos e me imagino

a dançar pela praia com meu melhor vestido

nos braços de um amor desconhecido.
 
Taty Casarino
 
Esta poesia faz referência à música "Clair de Lune" de Debussy em homenagem à musa inspiradora dos músicos, dos românticos e dos poetas: a lua!
 
Confira a música:
 
 
Link do vídeo com a música: https://www.youtube.com/watch?v=-LXl4y6D-QI

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Lampião de Eva



Sob os véus de Ísis,

pobres profanos cegos,

lutando pelo vil metal

e queimando suas doces

e verdadeiras esmeraldas.

 

Culpe minha alma de mulher

pelos pecados que sempre foram seus,

sua vontade de matar,

sua sede de vingança.

 

Eu não posso mudar quem você é, homem,

se não me permitir ser mulher.

Enviada por Deus com o propósito

de trabalhar ao seu lado

e ajuda-lo a evoluir.

 

O homem, no entanto, só sabe o pecado,

colocar a culpa na mulher

e cada vez mais oprimir.

 

Culpe-me pelo sangue em suas veias,

culpe-me por sua libido ilimitada,

culpe-me pela vontade de matar.

 

Diga que eu lhe ofereci

a maça mais proibida,

risque o meu nome da bíblia,

e queime meu corpo culpado

na esperança de queimar o seu pecado.

 

A minha graça é ameaça

para a sua guerra, desgraça.

A minha beleza é a culpada

por despertar sua força vil,

violentadora e ingrata.

 

Abra o seu coração,

permita-me ser seu Santo Graal,

ame incondicionalmente como Cristo,

aceite a sua tábua de Esmeralda

como Hermes Trismegisto.

 

Deixe minha doçura penetrar em seu coração,

aceite a Bela, amanse o leão, domine a Fera,

isto não lhe deixará menos macho,

só lhe deixará mais homem,

homem verdadeiramente equilibrado.

 

O fogo, a terra, a água e o ar,

o sal, o enxofre, o mercúrio e o ouro,

o tesouro do alquimista eleito

é o equilíbrio perfeito.

 

Somos todos pedras brutas

a caminho da evolução.

Somos todos arquitetos

da nossa vida em ação.

 

Figura a terra com ternura

cheia de sal e também doçura.

O próprio Cristo disse:

"Vós sois o sal na Terra".

 

Doce Eva, espírito imaculado

não quer mostrar-lhe o pecado,

mas tão-somente o seu caminho,

o seu cajado e o seu lampião.

 

Tatyana Casarino.
 
Este poema ilustra a sabedoria da mulher, a qual foi oprimida e oculta durante séculos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Onde há vida, há poesia




Mergulhada em minh'alma,permaneço sã e incólumediante do peso da realidade.Construo a minha verdade,sonhos feitos de papel,castelo feitos de palavras.Se eu tiver de deixar o meu corpo,eu o deixarei sobre o mundo,enquanto minh'alma voarápara o leito profundo dos deuses.O céu é cheio de estrelas,o papel é cheio de letras,que formam orações, constelações,penhascos inteiros de poesia.Nada é mais belo que um sorrisoà beira do mar do nosso coração,qualquer lugar pode ser poesia,onde há alma, há vida,onde há vida, há poesia.Tatyana Casarino.

Todas as emoções, acontecimentos e impressões podem se transformar em versos quando se tem alma sensível e percepção.

Abraços,
Taty.
 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Amor & Crença



Amor & Crença

    - E sê Bendita
       H. Sienkiewicz


Sabes que é Deus? Esse infinito e santo
Ser que preside e rege os outros seres,
Que os encantos e a força dos poderes
Reúne tudo em si, num só encanto?

Esse mistério eterno e sacrossanto,
Essa sublime adoração do crente,
Esse manto de amor doce e clemente
Que lava as dores e que enxuga o pranto?!

Ah! se queres saber a sua grandeza,
Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp'la do Céu santa e infinita!

Deus é o Templo do Bem. Na altura Imensa,
O Amor é a hóstia que bendiz a Crença,
Ama, pois, crê em Deus, e... sê bendita!

Augusto dos Anjos


                        

   
    Augusto dos Anjos foi um poeta brasileiro identificado como simbolista ou parnasiano muitas vezes, tendo em vista que a poesia brasileira estava dominada por simbolismo e parnasianismo na época de sua escrita. Muito embora o poeta paraibano tenha herdado  algumas características formais desses estilos, o conteúdo de sua poesia era diferenciado.
  A erudição usada apenas para repetir o modelo formal clássico é rompida por Augusto dos Anjos, o qual se preocupa em usar a forma clássica com um conteúdo que a subverte. Os contrastes aparecem muito em seus temas: idealismo e materialismo, dualismo e monismo, heterogeneidade e homogeneidade, amor e dor, morte e vida. "Tudo convém para o homem ser completo", como diz o próprio poeta em Contrastes.
   Existem muitas divergências entre os críticos de Augusto dos Anjos quanto à apreciação de sua obra e suas posições são geralmente extremas. No entanto, de qualquer modo, Augusto dos Anjos está longe de se passar despercebido na literatura brasileira por ser autor de poemas marcantes, os quais são amados através de entusiasmadas análises ou odiados por meio de ácidas críticas.



*Recomendo a leitura de Eu & Outras Poesias, livro que reúne os poemas de Augusto dos Anjos. Tenho este livro da L & PM Pocket. Para você que gosta de poesia, Augusto dos Anjos não pode faltar em sua coleção!




Taty Casarino

http://tatycasarino.blogspot.com.br/



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

(Des)Governada




Naquele momento de ira descabida,
em que perdera o domínio de si mesma,
sentiu-se como Faetonte.

Almejou guiar os cavalos
de seu inconsciente inato,
mas eles eram tão desgovernados
quanto o carro de Apolo
nas mãos de Faetonte desventurado.

 Ó Júpiter, celestial Zeus,
conceda-me rédeas!
Sem o governo d'alma,
conhecerei trevas!

Ensina-me a guiar
os cavalos d'alma.
Essa ira quente como Apolo
faz o espírito fraquejar.

Há dois cavalos
acoplados em um carro.
Um é branco, o outro preto,
e não há rédeas.

Sou o destemido arcano sétimo
do tarô de Marselha.
Para onde vou?
Onde eu estou?

Esquerda ou direita?
Direita ou esquerda?
Qual cavalo devo seguir?

O branco quer ir à direita,
e o preto quer ir à esquerda.
Porém, tento com força descomunal,
trilhar o caminho do meio.

Ó vale limítrofe,
dessa insanidade triste,
conceda-me o equilíbrio.

Que os opostos de minh'alma
se casem hoje, ó emoção!
O brilho nasce da junção,
Ó equilíbrio!

 Tatyana A.F Casarino

                                

Esta minha poesia, inspirada no mito de Faetonte, procura unir alegorias mitológicas ao universo subjetivo poético e à psicologia. Quantas vezes nós nos sentimos indecisos, sem saber onde ir? Quantas vezes a nossa ira descabida nos deixa sem as rédeas de nossa alma? Quantas vezes nós lamentamos os momentos em que nossas atitudes não estiveram em simbiose com nossos princípios? Muitas vezes, não é?
Quando afirmamos: "A ira me cegou" ou "Eu estava fora de mim naquele momento", estamos afirmando que nós estávamos "desgovernados", ou seja, sem as rédeas de nossas próprias ações, sem autocontrole e que fomos escravos de nós mesmos.
Libertar-se é equilibrar-se, exercitar o autoconhecimento e liderar nossas próprias atitudes, sem nos envenenarmos com nossas próprias emoções exacerbadas. Quando se percebe que minutos de descontrole emocional podem realmente destruir uma vida, nós nos tornamos mais cautelosos em relação às nossas próprias atitudes.
Mas, essa cautela tem de ser a mola propulsora de exercícios diários de conscientização acerca do que sentimos. Logo, devemos sempre estar em sintonia com as nossas emoções e perceber o que nos provoca, o que nos deixa irados e também o que nos deixa felizes para termos prudência diante de nossas fraquezas e usufruirmos diante daquilo que nos faz bem.
Por que eu escolhi fazer alusão ao mito de Faetonte no meu poema? Porque Faetonte, no mito, não consegue governar o carro de seu pai, e o fato de o carro do sol ficar desgovernado coloca em risco a vida da natureza, a qual quase acaba em chamas. Júpiter(Zeus), o pai dos deuses, teve que arrancar Faetonte do carro de Apolo para que a sua audácia não prejudicasse a natureza.
Desse modo, podemos fazer uma analogia entre esse mito e o nosso descontrole emocional, pois, quando não conseguimos "governar" nossas próprias ações, colocamos em risco o curso de nossa própria vida. Por causa disso que citei o mito. Na psicologia, há quem afirme que nosso inconsciente é como se fosse um "cavalo" que precisa ser domado.
No âmbito místico, o arcano sétimo do tarô, o Carro, revela um homem em movimento, o qual dirige uma espécie de carruagem que possui dois cavalos. Esses cavalos parecem ir em direções opostas, porém, se o homem souber comandá-los corretamente, irá onde desejar com prosperidade. Esse arcano ainda pode significar progresso sobre o que se deseja. Para finalizar, nós devemos agir com equilíbrio e prudência e exercitar sempre o autocontrole para não nos sentirmos "desgovernados".

Bibliografia:

*O Livro De Ouro Da Mitologia, Histórias de Deuses e Heróis. Autor: Thomas Bulfinch. Ed: Ediouro.

*Curso Completo De Tarô. Autor: Nei Naiff
Abraços,
Taty Casarino


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Motivo




Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias 
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
-não sei,  não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
-mais nada.

Cecília Meireles

Esse poema de Cecilia Meireles revela o que o poeta representa: um pássaro!
Nao importa se o instante é triste ou alegre, pois o que vale é a sua existência. E tudo o que existe merece versos, porque um dia o poeta não terá mais voz para expressar o instante. Viva a expressão poética! 

Abraços,

Taty Casarino.

tatycasarino.blogspot.com

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Esperança

Esperança




Lá bem do alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E

-oh delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
-Como é teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
-O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana

Feliz Ano Novo, pessoal! Que em 2015 a esperança se renove em seu coração intacta, persistente, incólume como no poema acima de Mário Quintana! Não desitam de seus sonhos e sejam simplesmente quem são sem medo de opiniões alheias! Cada ser humano é único, eis a riqueza do mundo! 

Grande abraço, 

Taty Casarino. 

http://tatycasarino.blogspot.com.br/

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Poema de Natal

Para isso somos feitos:
Para a esperança no milagre
(Versos de Poema de Natal de Vinicius de Moraes)




   Poema de Natal 

Para isso somos feitos:
Para lembrar e ser lembrados, 
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos...
Por isso temos braços longos para os adeuses, 
Mãos para colher o que foi dado,
dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer, 
Uma estrela a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos...
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio. 

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço, 
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai...
Mas, que essa hora não esqueça
E, por ela, os nossos corações 
Se deixem, graves e simples.

Pois, para isso somos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte.
De repente,  nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas,
Nascemos imensamente.

Vinicius de Moraes


   Desejo a todos um natal repleto de harmonia, paz e amor! Que a lembrança do nascimento de Cristo possa florescer em nossos corações a força da virtude, e que os obstáculos da vida nunca sejam capazes de oprimir nossos sonhos e nossas esperanças! Sonhem, sonhem muito, e trabalhem pela esperança de um mundo melhor. Se cada um fizer a sua parte, a vida a cada dia será melhor a todos nós!

Abraços, 

Taty Casarino. 

http://tatycasarino.blogspot.com.br/

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Les Fleurs Du mal

                                 



       Les Fleurs Du Mal (As Flores Do Mal) é um livro de poemas escrito pelo poeta e crítico francês Charles Baudelaire e é considerado, na história da poesia, um marco da poesia moderna e simbolista. Os temas abordados pelo seus poemas são: a queda, a expulsão do paraíso, o amor, a morte, o erotismo, o exílio e o tédio. Os versos não se preocupam com discussões de teor político, narrativas, filosofias, ideais nobres ou lendas. Eles são densos e cheios de um fascínio (obscuro) e de um simbolismo sem pudor.
     Charles Baudelaire marcou as últimas décadas do século XIX, influenciando a poesia internacional de tendência simbolistas. A partir dele, originaram-se na França os poetas "malditos". Baudelaire inventou uma nova estratégia de linguagem, incorporando a matéria da realidade grotesca à linguagem sublimada do Romantismo, o que foi a base para a criação da poesia moderna.
        A obra-prima do poeta é "As Flores Do Mal", cujos poemas são de 1841. Em sua época, Baudelaire foi julgado imoral e o livro levantou polêmica e despertou hostilidades na imprensa. Assim, o poeta e seu editor foram processados e, além de pagar multa, tiveram de reimprimir a obra e excluir alguns poemas da primeira edição.

                  

         
            Na edição de Martin Claret de 2011, há disponível aos leitores brasileiros a versão completa de As Flores Do Mal, com os poemas censurados e os incluídos posteriormente. A primorosa tradução é de  Mário Laranjeira, professor de literatura da Universidade de São Paulo (USP).
           A nova tradução de "Les Fleurs Du Mal" surgiu num momento único na história, tendo em vista que, em 2011, houve a comemoração dos 150 anos da segunda edição deste livro poético de Baudelaire, publicado primeiramente em 1857.
             A vida boêmia e as dificuldades financeiras não impediram Baudelaire de deixar seu rico legado na história da poesia e da literatura. Seus escritos de crítica de arte e crítica literária contribuíram decisivamente para o desenvolvimento do conceito de "modernidade", termo que foi, inclusive, inventado pelo poeta.

Confiram um dos poemas mais famosos de Baudelaire, "O Albatroz":

L' ALBATROS

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.


O ALBATROZ
Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,
Que acompanha, indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.

Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.

Antes tão belo, como é feio na desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um, com o cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,
Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!

O Poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado no chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar.
(Tradução de Ivan Junqueira)

Ótimo fim de semana a todos!

Abraços,

Taty Casarino.
          

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Álvares de Azevedo

                                     



     Álvares de Azevedo nasceu em 1831 em São Paulo e é considerado integrante do Romantismo brasileiro, já que o poeta personificou de forma intensa o espírito que guiava tal escola, tornando-se um dos principais expoentes da geração denominada "Mal do século". Para este poeta e seus contemporâneos, eram necessários o sofrimento advindo das paixões, as lágrimas dos amores impossíveis, a desilusão e a morte precoce como libertação da prisão do corpo à realidade que não permite os sonhos.
      A obsessão de Álvares de Azevedo pela temática da morte começou na infância quando sofreu a perda do irmão mais novo aos quatro anos de idade. Desde então, segundo biógrafos, o menino e futuro poeta jamais conseguiu ser o mesmo, pois adoeceu e entrou em um profundo estado de melancolia, ocasionando a sua saúde frágil.
     Sua frágil constituição física não impediu que seus dons intelectuais começassem a florescer, e ele conseguia se destacar como um aluno de raro brilho desde os primeiros anos de colégio. Como estudante de Direito, destacou-se mais do que qualquer outro em seu tempo, visto que, além de aprender com facilidade, era muito interessado pelo estudo e lia  de forma assídua grandes mestres da filosofia e da literatura.
     Além do raro brilho intelectual, seu talento poético pode ser considerado genial, tendo em vista que o poeta escreve toda a sua obra dos dezessete aos vinte anos. Muito embora Álvares de Azevedo não costumasse frequentar a esfera boêmia de seu tempo, foi essa mesma esfera o maior motivo de inspiração para o jovem escritor influenciado por Byron, Shelley, Keats, Musset, Poe e outros grandes nomes do Mal do Século.
            

     

       Sendo assim, o poeta brasileiro destacou-se por versar sobre o pessimismo, o tédio e a morte. Os versos de amor revelavam também o medo do inatingível, pois retratavam a mulher quase sempre como bela, pura, idealizada e distante. Sabe-se que o poeta brasileiro também teve influência do poeta francês Alphonse de Lamartine cuja poesia era caraterizada pela profunda melancolia, retratando, muitas vezes, o amor e a religião.

      No prefácio da "Lira dos Vinte Anos" de Álvares de Azevedo, nós nos deparamos com uma frase de Lamartine: "Dieu, amour et poésie sont les trois mots que je voudrais seuls graver sur ma pierre, si je mérite une pierre." Tradução: "Deus, amor e poesia são as três únicas palavras que eu gostaria de escrever sobre a minha lápide, se eu merecer uma lápide."


           


 
    A morte do poeta romântico brasileiro assim como a da maioria dos poetas do Mal do Século foi precoce: aos vinte anos e meio após cair de um cavalo e ter como resultado um tumor na fossa ilíaca. O maior poeta da segunda geração romântica deixou uma obra inédita e muito singular, a qual seria publicada posteriormente: "Lira dos Vinte Anos", "Noite na Taverna, Macário", "O Conde Lopo", "O Poema do Frade", "Livro de Fra Gondiciário".

    Segue abaixo um poema de Álvares de Azevedo encontrado em "Lira dos Vinte Anos"

Sonhando


Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!

A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!

A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam — a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!

E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!

Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...

Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!


Dormia: — na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!


Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!


E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!


E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!

Álvares de Azevedo




Uma ótima semana e até a próxima quinta-feira, pessoal!

Abraços,

Taty Casarino.

http://tatycasarino.blogspot.com.br/