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Barroco na Literatura

quinta-feira, 5 de março de 2015
                          

Barroco nas artes
A designação de "barroco" significa "pérola irregular". O barroco foi repleto de formas opulentas, cheias de contrastes, bem ao contrário das formas mais despojadas e mais harmônicas da arte do renascimento.
O século XVII foi peculiarmente marcado pela tensão entre opostos.De um lado, havia a visão de mundo renascentista (otimista e de exaltação da vida). De outro lado, havia uma visão de vida reclusa, que negava o mundo.
No Barroco, há o dito latino "Carpe Diem", o qual significa: "Aproveita o dia de hoje".
Também havia o dito "Memento mori",o qual significa: "Lembra-te, homem, que morrerás um dia!". É constatado que a vaidade e a irracionalidade estavam presentes no Barroco.
O Barroco era influenciado pelo modo de vida do século XVII, um período onde o homem estava vivendo transformações ao mesmo tempo que o retrógrado o prendia. Logo, o homem dessa época estava perturbado de tantas dúvidas que havia em sua mente geradas pelos imensos conflitos entre os opostos. O homem vivia em uma linha tênue entre os princípios antagônicos, prendendo-se a uma dualidade perturbadora.
O século XVII também foi marcado por uma enorme diferença de classes socais. A aristocracia francesa e a corte de Versalhes viviam um luxo exacerbado. Exibição de ostentação era um modo de demonstar pode. Por meio do luxo, exibia-se poder. Havia uma mensagem econômica por tràs: quem tinha o luxo, tinha o poder político e econômico.
Podemos encontrar o barroco na arquitetura, na pintura, na literatura, na poesia e em outras manifestações artísticas.
 
 
 
 
A dualidade paradoxal barroca e a Literatura

O homem estava confuso, cheio de dúvidas, dividido entre o desejo de aproveitar a vida e o de garantir um lugar no céu. Conflito existencial gerado pelo dilema do homem dividido entre o prazer pagão e a fé religiosa. Antropocentrismo x Teocentrismo (homem X Deus, carne X espírito). Detalhismo e rebuscamento- a extravagância e o exagero nos detalhes.

Conflitos: bem X mal, pecado X perdão, homem X Deus.

Linguagem rebuscada e trabalhada ao extremo, usando muitos recursos estilísticos e figuras de linguagem e sintaxe, hipérboles, metáforas, antíteses e paradoxos, para melhor expressarem a comparação entre o prazer passageiro da vida e a vida eterna.

Filosofias: Cultismo x Conceptismo. Cultismo é o jogo de palavras, o uso culto da língua, predominando inversões sintáticas. Conceptismo são os jogos de raciocínio e de retórica que visavam melhor explicar o conflito dos opostos.
 
 

 
A imagem postada é do filme "Macbeth" (1971)*
 

As peças teatrais dramáticas e repletas de intensidade eram barrocas. Era muito importante, para o teatro barroco, o uso de cenários, figurinos e maquiagens. Na verdade, acreditava-se que a ilusão transmitida no teatro era a representação da vida real. A vida era feita da mesma matéria que os sonhos. Encontramos muitas citações de que a vida é um teatro.

William Shakespeare viveu no barroco e sua literatura esteve muito vinculada ao teatro. Escreveu suas grandes peças por volta de 1600.

Na peça "Como gostais", Shakespeare diz:

"O mundo é um palco, e homens e mulheres, não mais que meros atores. Entram e saem de cena e durante sua vida não fazem mais do que desempenhar alguns papéis."

Em Macbeth, Shakespeare fez uma poesia:

 

" A vida é uma sombra errante;

Um pobre comediante, que se pavoneia

No breve instante que lhe reserva a cena,

Para depois não ser mais ouvido.

É um conto de fadas, que nada significa,

Narrado por um idiota, cheio de voz e fúria."
 
 
 
Gosto muito do estilo Barroco! Espero que vocês tenham gostado de conhecer melhor esse estilo também!

Abraços,

Taty Casarino.

http://tatycasarino.blogspot.com.br/

William Blake

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

                    

   
      William Blake foi poeta, escritor e artista de obra visionária, criativa e evoluída. Ele nasceu em 28 de Novembro de 1757 em Londres, Inglaterra, e morreu no dia 12 de Agosto de 1827 em Londres, Inglaterra. Os seus poemas refletem misticismo religioso e temas filosóficos e políticos.
      Hoje em dia, William Blake é amplamente reconhecido como um dos mais criativos e visionários talentos artísticos de seu tempo. Ele era profundamente interessado no misticismo e no cristianismo ainda que apresentasse oposição à religião oficializada. As obras que produziu nas artes plásticas e na literatura refletem as suas mais intensas percepções e crenças, visto que era fascinado pelo mundo espiritual desde que teve sua primeira experiência mística aos 10 anos de idade quando viu uma árvore repleta de anjos em Peckham Rye, Londres.
          Sendo assim, Blake costumava dizer que, durante toda a sua vida, presenciava visões desse tipo. Tais visões, muitas vezes, eram a principal fonte de inspiração de suas obras escritas e ilustradas, as quais expressavam intensa espiritualidade.

                       

            
             Blake foi aprendiz do gravador James Basire durante sete anos no período em que estudava na Royal Academy. Casou-se com Catherine Boucher no ano de 1782, tendo a ajuda da esposa na impressão de muitas gravuras. Catherine também era um "pilar" emocional e espiritual para o poeta. Ele publicou a primeira coletâne de poemas, Poetical Sketches, no ano após o casamento. Depois, em 1784, abriu uma gráfica com o irmão Robert.
            Blake continuou o seu trabalho com ilustrações e desenvolveu um novo tipo de gravação em relevo que usou para ilustrar a maior parte de seus textos, entre eles Canções e Inocência e Canções da Experiência.
             Ele publicou as duas obras juntas para que formassem um conjunto de poemas contrastantes, tendo em vista que Canções de Inocência exalta o mundo natural de modo entusiasmado e com um tom até infantil enquanto Canções da Experiência revela um tom sombrio e trata da perda da inocência como uma quase inevitável consequência da vida e da compreensão do adulto. Vale salientar que Canções da Experiência foi uma obra escrita ao fim da Revolução Francesa.
              
                       

             
                   A partir de 1800, Blake trabalhou em Milton, A Poem, e parte do prefácio se transformou no comovente hino Jerusalem e no longo e visionário livro profético Jerusalem, The Emanation of The Giiant Albion.
               Destaca-se que, durante toda a sua vida, Blake se dedicou fortemente à espiritualidade e acreditou firmemente na igualdade racial e sexual, e numa humanidade inclusiva. Rejeitava a religião organizada, sendo que alguns de seus comentários causaram revolta na época. Em vez disso, se concentrava no poder da imaginação.
               As fronteiras criativas de sua mente eram ilimitadas. Sua obra e sua percepção do mundo tiveram enorme influência sobre uma sucessão de escritores, artistas e até cantores.

                       


*Informações da Biografia de William Blake extraídas do livro: 501 Grandes Escritores da Editora Sextante.

*Ilustrações de Blake utilizadas na postagem:
* O Ancião Dos Dias, Aquarela pintada em 1794, representando Deus como o Grande Arquiteto Do Universo.
*A Escada de Jacó, outra ilustração mística de Blake.

Confiram um belo poema de Blake:
*Tradução de Ângelo Monteiro

 O Tigre (título original: The Tiger)

Tigre, tigre que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?

Em que longínquo abismo, em que remotos céus
Ardeu o fogo de teus olhos ?
Sobre que asas se atreveu a ascender ?
Que mão teve a ousadia de capturá-lo ?
Que espada, que astúcia foi capaz de urdir
As fibras do teu coração ?

E quando teu coração começou a bater,
Que mão, que espantosos pés
Puderam arrancar-te da profunda caverna,
Para trazer-te aqui ?
Que martelo te forjou ? Que cadeia ?
Que bigorna te bateu ? Que poderosa mordaça
Pôde conter teus pavorosos terrores ?

Quando os astros lançaram os seus dardos,
E regaram de lágrimas os céus,
Sorriu Ele ao ver sua criação ?
Quem deu vida ao cordeiro também te criou ?

Tigre, tigre, que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão, que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?

Ótima semana a todos e até a próxima quinta-feira!

Abraços,

Taty Casarino.

http://tatycasarino.blogspot.com.br/